Simulador do Simples Nacional
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Guia completo do Simples Nacional: anexos, alíquotas e o temido Fator R
Aprenda a calcular seu imposto na prática, entenda por que faturar mais pode mudar sua faixa de tributação e descubra como o Fator R pode salvar milhares de reais da sua empresa.
O "Simples" que nem sempre é tão simples assim
O Simples Nacional foi criado em 2006 com uma promessa maravilhosa: facilitar a vida do pequeno empreendedor brasileiro. Em vez de pagar meia dúzia de impostos federais, estaduais e municipais em guias separadas e datas diferentes, você paga tudo em um único boleto: o DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional).
Para microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) que faturam até R$ 4,8 milhões por ano, o Simples costuma ser o regime tributário mais vantajoso. Mas por trás daquela guia unificada, existe um motor complexo de cálculo que confunde até mesmo empreendedores experientes.
Se você é um MEI prestes a estourar o limite de faturamento, ou um profissional PJ prestando serviços, entender as regras do jogo — especialmente a RBT12 e o Fator R — não é apenas uma questão burocrática: é a diferença entre ter lucro ou trabalhar apenas para pagar imposto.
1 O segredo do cálculo: O que é a RBT12?
Muitos empreendedores olham para as tabelas do Simples Nacional, veem a alíquota da primeira faixa (por exemplo, 6% para serviços) e pensam: "Ótimo, vou pagar 6% de imposto para sempre". Esse é o erro número um.
O Simples Nacional é um imposto progressivo. A alíquota que você paga hoje não depende do quanto você faturou neste mês, mas sim do quanto você faturou nos últimos 12 meses. Esse montante acumulado é chamado de RBT12 (Receita Bruta Total dos últimos 12 meses).
📐 Como o seu imposto real (Alíquota Efetiva) é calculado:
A Receita Federal não aplica a porcentagem da tabela diretamente sobre o faturamento do mês. Ela usa uma fórmula para encontrar a "alíquota efetiva":
Alíquota Efetiva = [(RBT12 × Alíquota Nominal da Faixa) − Parcela a Deduzir] ÷ RBT12 Essa fórmula garante que a transição de uma faixa de faturamento para a próxima seja suave, sem saltos absurdos no valor do imposto. Mas o recado é claro: à medida que seu negócio cresce e fatura mais ao longo do ano, sua alíquota de imposto sobe gradativamente.
2 Desmistificando os 5 Anexos (Tabelas)
No Simples Nacional, as empresas são divididas em 5 grandes "tabelas", conhecidas como Anexos. O seu anexo é definido pela atividade que sua empresa exerce (o CNAE do seu CNPJ). Cada anexo tem alíquotas iniciais diferentes.
Anexo I — Comércio
Lojas, e-commerces, supermercados, atacadistas.
Alíquota inicial: 4,00%
Anexo II — Indústria
Fábricas, marcenarias, confecções, indústrias em geral.
Alíquota inicial: 4,50%
Anexo III — Serviços Comuns
Instalações, manutenções, agências de marketing, TI e desenvolvimento, contabilidade.
Alíquota inicial: 6,00%
Anexo IV — Serviços Especiais
Obras, construção civil, limpeza, vigilância, advocacia.
Alíquota inicial: 4,50%
Cuidado: INSS Patronal (CPP) não está incluso no DAS e é cobrado por fora (20% sobre a folha).
Anexo V — Serviços Intelectuais
Medicina, engenharia, auditoria, veterinária e profissões regulamentadas de cunho intelectual.
Alíquota inicial:
15,50%3 O Temido (e salvador) Fator R
Você reparou que a alíquota inicial do Anexo V (15,5%) é mais que o dobro da alíquota do Anexo III (6%)? Profissionais como médicos, engenheiros, consultores e desenvolvedores de software muitas vezes se enquadram por padrão no Anexo V. Mas a Receita Federal criou uma "saída de emergência" para premiar empresas que geram empregos: o Fator R.
O Fator R permite que uma atividade do Anexo V seja tributada no Anexo III, pagando muito menos imposto. Para conseguir isso, o seu gasto com folha de pagamento deve ser alto em proporção ao seu faturamento.
Se a sua folha de salários (incluindo o seu Pró-labore) dos últimos 12 meses for igual ou superior a 28% do seu faturamento no mesmo período, você cai para o Anexo III (começando em 6%).
Exemplo Numérico Prático: A diferença no bolso
Imagine o Carlos, um desenvolvedor de software PJ faturando R$ 15.000 por mês (R$ 180.000 no ano).
- Faturamento: R$ 15.000
- Pró-labore: R$ 1.500 (10% do faturamento)
- Fator R: Abaixo de 28%
- Enquadramento: Anexo V
- Alíquota DAS: 15,5%
- Total DAS Mensal: R$ 2.325,00
- Faturamento: R$ 15.000
- Pró-labore: R$ 4.200 (28% do faturamento)
- Fator R: 28% atingido
- Enquadramento: Anexo III
- Alíquota DAS: 6,0%
- Total DAS Mensal: R$ 900,00
No Cenário B, mesmo pagando um pouco mais de INSS e IRRF sobre o pró-labore mais alto, a economia no DAS do Simples Nacional gera uma sobra líquida muito maior. Carlos economiza mais de R$ 17.000 por ano apenas por definir seu pró-labore em exatos 28% do faturamento.
Como não ser pego de surpresa pelo leão
O grande perigo do Simples Nacional é o "salto de faixa". Se você faturou muito em um mês específico, seu RBT12 sobe, e a alíquota de imposto de todos os meses seguintes também sobe. Você pode fechar um projeto excelente hoje e acabar pagando um percentual maior de imposto sobre serviços bem menores daqui a 6 meses.
É por isso que pequenos empresários e PJs de sucesso usam ferramentas de gestão completas. Ter um CRM inteligente — como o Clientela CRM — não serve apenas para vender mais; serve para prever seu fluxo de caixa, controlar faturamentos futuros e ter previsibilidade da sua receita. Ao organizar seus contratos e fechamentos no CRM, você pode antecipar saltos na sua RBT12 e conversar com seu contador antes do boleto do DAS chegar mais caro.
4 A transição: De MEI para Microempresa (ME)
O MEI (Microempreendedor Individual) é uma categoria especial do Simples Nacional. Em vez de pagar uma alíquota percentual sobre o que fatura, o MEI paga um valor fixo mensal (o DAS-MEI, que gira em torno de R$ 75 a R$ 85).
Mas o MEI tem um limite rigoroso de faturamento: R$ 81.000 por ano (uma média de R$ 6.750 por mês). Se você ultrapassar esse limite, será desenquadrado do MEI e passará a ser uma Microempresa (ME), caindo nas regras normais do Simples Nacional (pagando os percentuais dos Anexos que explicamos acima).
Perguntas Frequentes (FAQ)
Aviso Legal e Transparência
Aviso importante sobre contabilidade empresarialEsta calculadora e os artigos a ela associados fornecem projeções matemáticas para auxiliar o planejamento financeiro e gerencial. O sistema tributário brasileiro é complexo e sujeito a legislações estaduais e municipais específicas, isenções, retenções na fonte (como ISS retido) e mudanças normativas.
A ferramenta não substitui o trabalho de um contador qualificado. Nunca gere guias oficiais de arrecadação sem o aval da sua assessoria contábil. A precisão do Fator R exige apuração rigorosa de pró-labore, CPP e FGTS processados mensalmente via eSocial e DCTFWeb.