Atualizado 2026

Simulador do Simples Nacional

Simule o DAS mensal, a alíquota efetiva e a projeção anual do seu negócio para qualquer anexo e faixa do Simples Nacional

R$
💡 Dica: Serviços técnicos (Anexo III) — alíquota inicial de 6,00% — melhor para TI e consultoria
R$
Faturamento bruto total dos últimos 12 meses.

Preencha o faturamento para ver a simulação do seu imposto.

Guia Definitivo · Atualizado 2026

Guia completo do Simples Nacional: anexos, alíquotas e o temido Fator R

Aprenda a calcular seu imposto na prática, entenda por que faturar mais pode mudar sua faixa de tributação e descubra como o Fator R pode salvar milhares de reais da sua empresa.

10 min de leitura Para MEI e ME Revisado por contadores

O "Simples" que nem sempre é tão simples assim

O Simples Nacional foi criado em 2006 com uma promessa maravilhosa: facilitar a vida do pequeno empreendedor brasileiro. Em vez de pagar meia dúzia de impostos federais, estaduais e municipais em guias separadas e datas diferentes, você paga tudo em um único boleto: o DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional).

Para microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) que faturam até R$ 4,8 milhões por ano, o Simples costuma ser o regime tributário mais vantajoso. Mas por trás daquela guia unificada, existe um motor complexo de cálculo que confunde até mesmo empreendedores experientes.

Se você é um MEI prestes a estourar o limite de faturamento, ou um profissional PJ prestando serviços, entender as regras do jogo — especialmente a RBT12 e o Fator R — não é apenas uma questão burocrática: é a diferença entre ter lucro ou trabalhar apenas para pagar imposto.

1 O segredo do cálculo: O que é a RBT12?

Muitos empreendedores olham para as tabelas do Simples Nacional, veem a alíquota da primeira faixa (por exemplo, 6% para serviços) e pensam: "Ótimo, vou pagar 6% de imposto para sempre". Esse é o erro número um.

O Simples Nacional é um imposto progressivo. A alíquota que você paga hoje não depende do quanto você faturou neste mês, mas sim do quanto você faturou nos últimos 12 meses. Esse montante acumulado é chamado de RBT12 (Receita Bruta Total dos últimos 12 meses).

📐 Como o seu imposto real (Alíquota Efetiva) é calculado:

A Receita Federal não aplica a porcentagem da tabela diretamente sobre o faturamento do mês. Ela usa uma fórmula para encontrar a "alíquota efetiva":

Alíquota Efetiva = [(RBT12 × Alíquota Nominal da Faixa) − Parcela a Deduzir] ÷ RBT12

Essa fórmula garante que a transição de uma faixa de faturamento para a próxima seja suave, sem saltos absurdos no valor do imposto. Mas o recado é claro: à medida que seu negócio cresce e fatura mais ao longo do ano, sua alíquota de imposto sobe gradativamente.

2 Desmistificando os 5 Anexos (Tabelas)

No Simples Nacional, as empresas são divididas em 5 grandes "tabelas", conhecidas como Anexos. O seu anexo é definido pela atividade que sua empresa exerce (o CNAE do seu CNPJ). Cada anexo tem alíquotas iniciais diferentes.

Anexo I — Comércio

Lojas, e-commerces, supermercados, atacadistas.

Alíquota inicial: 4,00%

Anexo II — Indústria

Fábricas, marcenarias, confecções, indústrias em geral.

Alíquota inicial: 4,50%

Anexo III — Serviços Comuns

Instalações, manutenções, agências de marketing, TI e desenvolvimento, contabilidade.

Alíquota inicial: 6,00%

Anexo IV — Serviços Especiais

Obras, construção civil, limpeza, vigilância, advocacia.

Alíquota inicial: 4,50%

Cuidado: INSS Patronal (CPP) não está incluso no DAS e é cobrado por fora (20% sobre a folha).

Anexo V — Serviços Intelectuais

Medicina, engenharia, auditoria, veterinária e profissões regulamentadas de cunho intelectual.

Alíquota inicial:

15,50%

3 O Temido (e salvador) Fator R

Você reparou que a alíquota inicial do Anexo V (15,5%) é mais que o dobro da alíquota do Anexo III (6%)? Profissionais como médicos, engenheiros, consultores e desenvolvedores de software muitas vezes se enquadram por padrão no Anexo V. Mas a Receita Federal criou uma "saída de emergência" para premiar empresas que geram empregos: o Fator R.

O Fator R permite que uma atividade do Anexo V seja tributada no Anexo III, pagando muito menos imposto. Para conseguir isso, o seu gasto com folha de pagamento deve ser alto em proporção ao seu faturamento.

A Regra de Ouro do Fator R:
Se a sua folha de salários (incluindo o seu Pró-labore) dos últimos 12 meses for igual ou superior a 28% do seu faturamento no mesmo período, você cai para o Anexo III (começando em 6%).
Exemplo Numérico Prático: A diferença no bolso

Imagine o Carlos, um desenvolvedor de software PJ faturando R$ 15.000 por mês (R$ 180.000 no ano).

Cenário A: Sem Planejamento
  • Faturamento: R$ 15.000
  • Pró-labore: R$ 1.500 (10% do faturamento)
  • Fator R: Abaixo de 28%
  • Enquadramento: Anexo V
  • Alíquota DAS: 15,5%
  • Total DAS Mensal: R$ 2.325,00
Cenário B: Com Fator R Estratégico
  • Faturamento: R$ 15.000
  • Pró-labore: R$ 4.200 (28% do faturamento)
  • Fator R: 28% atingido
  • Enquadramento: Anexo III
  • Alíquota DAS: 6,0%
  • Total DAS Mensal: R$ 900,00

No Cenário B, mesmo pagando um pouco mais de INSS e IRRF sobre o pró-labore mais alto, a economia no DAS do Simples Nacional gera uma sobra líquida muito maior. Carlos economiza mais de R$ 17.000 por ano apenas por definir seu pró-labore em exatos 28% do faturamento.

Como não ser pego de surpresa pelo leão

O grande perigo do Simples Nacional é o "salto de faixa". Se você faturou muito em um mês específico, seu RBT12 sobe, e a alíquota de imposto de todos os meses seguintes também sobe. Você pode fechar um projeto excelente hoje e acabar pagando um percentual maior de imposto sobre serviços bem menores daqui a 6 meses.

É por isso que pequenos empresários e PJs de sucesso usam ferramentas de gestão completas. Ter um CRM inteligente — como o Clientela CRM — não serve apenas para vender mais; serve para prever seu fluxo de caixa, controlar faturamentos futuros e ter previsibilidade da sua receita. Ao organizar seus contratos e fechamentos no CRM, você pode antecipar saltos na sua RBT12 e conversar com seu contador antes do boleto do DAS chegar mais caro.

4 A transição: De MEI para Microempresa (ME)

O MEI (Microempreendedor Individual) é uma categoria especial do Simples Nacional. Em vez de pagar uma alíquota percentual sobre o que fatura, o MEI paga um valor fixo mensal (o DAS-MEI, que gira em torno de R$ 75 a R$ 85).

Mas o MEI tem um limite rigoroso de faturamento: R$ 81.000 por ano (uma média de R$ 6.750 por mês). Se você ultrapassar esse limite, será desenquadrado do MEI e passará a ser uma Microempresa (ME), caindo nas regras normais do Simples Nacional (pagando os percentuais dos Anexos que explicamos acima).

Atenção ao estouro: Se você estourar o limite do MEI em até 20% (faturar até R$ 97.200), você paga uma multa sobre o excedente e vira ME no ano seguinte. Mas se estourar mais de 20%, o desenquadramento é retroativo a janeiro daquele ano, e você terá que pagar os impostos do Simples Nacional com juros e multas de todos os meses passados.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Não. O Anexo é determinado obrigatoriamente pelos CNAEs (Códigos de Atividade Econômica) registrados no seu CNPJ. A única exceção é a regra do Fator R, que permite que atividades originalmente do Anexo V sejam tributadas pelas regras do Anexo III.

Sim, o teto global de faturamento para empresas se manterem no Simples Nacional continua sendo R$ 4,8 milhões anuais. Contudo, fique atento ao "sublimite" de R$ 3,6 milhões, adotado pela maioria dos estados; ao ultrapassá-lo, o ICMS e o ISS passam a ser recolhidos fora do DAS, com regras normais de tributação.

O regime do Simples Nacional está preservado na Constituição. Durante a transição para o novo modelo de impostos (IBS e CBS), as empresas do Simples poderão optar por continuar recolhendo tudo unificado no DAS, ou recolher o IBS/CBS por fora para poder transferir créditos tributários completos aos seus clientes corporativos.

No Simples Nacional (ME e EPP), não. O imposto incide sobre a receita gerada. Zero faturamento = zero DAS. A exceção é o MEI, que paga um valor fixo mensal independentemente de ter emitido nota fiscal ou não.